Caminho de pré-candidatos para o Buriti passa por propostas concretas

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Superficialidade não beneficiará quem pretende concorrer às eleições deste ano. Analistas políticos apontam que os pré-candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) precisam se ater a propostas viáveis se quiserem vencer os adversários e evitar recorde de votos brancos e nulos. O desafio de cada postulante a futuro governador é convencer o eleitor de sua capacidade de pôr um basta nas mazelas enfrentadas pelos brasilienses.

Para consultores e observadores da política, ainda falta preparo. O desempenho dos sete pré-candidatos ao Buriti que participaram do primeiro debate pré-eleitoral do DF – realizado pelo Metrópoles na última segunda-feira (9/7) – foi considerado insuficiente para conquistar a simpatia do crítico eleitorado da capital. Segundo especialistas, os convidados prenderam-se às realizações pessoais do passado e a críticas ao presente (no caso, à atual gestão do Executivo distrital). Quando arriscaram um prospecto para o futuro, foram rasos.

Os mais conhecidos quiseram apostar nos feitos pessoais, dizer o que já fizeram. Houve muito discurso sobre passado, mas eleição é sobre futuro, esperança, expectativa

Matheus Leone, cientista político e editor-chefe da revista Vinte&Um

“O que senti falta foi de profundidade nas propostas”, disparou o professor do Instituto de Ciência Política (Ipol) da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas. “Quais serviços públicos não estão funcionando? Qual é o governador(a) dos sonhos dos eleitores? É preciso entender o que as pessoas que viram o debate esperam”, detalhou o doutor em ciência política e também professor da UnB Wladimir Gramacho.

Os analistas reconhecem que durante o evento os pré-candidatos falaram em incentivar a geração de emprego e em melhorar a saúde, a educação e a segurança pública, por exemplo. Mas, na avaliação dos experts, esses temas foram abordados de forma muito genérica.

“O nível dos candidatos estava muito aquém do mínimo esperado”, escreveu a bacharel em relações internacionais e ativista Leiliane Rebouças em suas redes sociais. “Temas importantes, como gestão dos recursos hídricos, política habitacional, preservação do patrimônio, desenvolvimento do turismo, judicialização da saúde por falta de leitos em UTIs, leis urbanísticas, escândalos de corrupção, entre outros, foram deixados de lado”, listou ela.

“Tudo bem dizer que vai construir escolas e dar tablets para alunos da rede pública, mas com que dinheiro? Qual projeto para a educação? Os pré-candidatos precisam se preparar para os debates, tanto psicologicamente quanto em conteúdo”, disparou o jornalista Hélio Doyle, ex-secretário-chefe da Casa Civil na gestão Rodrigo Rollemberg (PSB) e professor aposentado da UnB.

Conquistando votos
Mas, afinal, como conquistar votos em um momento de descrença política? Para os especialistas, a chave está em apresentar aos cidadãos sugestões para resolver os problemas do dia a dia. Apoiar-se em compromissos infundados é arriscado.

“A população respeita muito mais quem é capaz de eleger prioridades do que quem promete tudo”, advertiu o cientista político e editor-chefe da revista Vinte&Um, Matheus Leone.

Os postulantes a governador do Distrito Federal devem ter respostas, por exemplo, para a falta de medicamentos na rede pública de saúde, ao combate efetivo da criminalidade e para devolver ao DF o posto de referência nacional em educação, na avaliação do jornalista e editor do blog Expressão Brasiliense, José Fernando Vilela.

Agora, se ficar com propostas e projetos que não são reais ou que não influenciem diretamente na qualidade de vida, o eleitor, com certeza, vai optar por pagar a ‘taxinha’ da Justiça Eleitoral ou votar em branco ou nulo, eximindo-se no seu subconsciente de qualquer culpa por não escolher alguém para governar a cidade ou representá-lo

José Fernando Vilela, jornalista

Para a editora do site Poder no Quadrado, Millena Lopes, os pré-candidatos precisam entender o assunto sobre o qual se propõem a falar. “É necessário conhecer a cidade e os problemas para apontar soluções que impactam na vida real. Sem superficialidade. Sem promessas espetaculosas”, pontuou.

O que o povo quer?
Eleitores ouvidos pelo Metrópoles (assista vídeo abaixo) querem candidatos mais presentes nas ruas. Os pedidos mais comuns são de melhorias nos serviços básicos, como saúde, transporte e segurança. Um outro tema essencial a ser abordado pelos políticos, segundo os cidadãos, é a inclusão social.

 

O cientista político e professor universitário Aurélio Maduro destaca que o Distrito Federal ainda tem uma peculiaridade: ocorrem eleições apenas de quatro em quatro anos e, nesse espaço de tempo, forma-se uma massa de jovens que irão votar pela primeira ou segunda vez. Neste ano, 142.312 brasilienses com idades entre 16 e 20 anos estão nessa situação, de acordo com dados divulgados em junho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um grupo que ainda não recebeu a devida atenção dos pré-candidatos, na análise de Aurélio Maduro. “Os postulantes estão falando para um eleitor que já pratica o voto, mas está descontente, e ainda não são capazes de chegar ao novo eleitor. Para isso, é preciso ser transparente, propor política que acabe com as antigas práticas de loteamento público e, de fato, procurar servir ao povo”, afirmou.

Todos os analistas ouvidos pelos Metrópoles ou que repercutiram o primeiro embate de ideias em suas páginas na internet foram unânimes em apontar: outros debates virão, e os pré-candidatos precisam fazer seu dever de casa, preparando-se melhor para essas oportunidades.

“Faltou mesmo assessoria. [A despedida de cada pré-candidato] Teria de ser algo que marcasse o debate e abrisse o noticiário. Resultado: os sete não geraram notícia. Jogaram pelo empate”, pontuou o jornalista e consultor de marketing político, Renato Riella. “As equipes que treinam os pré-candidatos ainda têm muito trabalho para afiá-los, principalmente com relação a propostas para enfrentar os problemas de Brasília”, acrescentou Millena Lopes, em seu site Poder no Quadrado.

Debate
Participaram do debate Metrópoles o empresário Alexandre Guerra (Novo); a ex-distrital e ex-secretária do governo Arruda Eliana Pedrosa (Pros); a enfermeira sanitarista e uma das criadoras do Saúde da Família Fátima Sousa (PSol); o deputado federal Izalci Lucas (PSDB); o ex-secretário de saúde e ex-deputado federal Jofran Frejat (PR); o general Paulo Chagas (PRP) e o atual governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB).

Confira um resumo da participação de cada um no evento: 

1/7Todos os demais concorrentes aproveitaram a oportunidade para destacar os pontos sensíveis da gestão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Em sua defesa, o candidato à reeleição apresentou dados e destacou realizações dos últimso 3,5 anos – um indicativo da estratégia que o socialista deve adotar ao longo da corrida eleitoral Rafaela Felicciano/Metrópoles
2/7O empresário do setor de fast-food Alexandre Guerra (Novo) garantiu que não fará “acordos com a Câmara Legislativa para governar o Distrito Federal”. Guerra tentou defender um modelo diferente do atualmente praticado na política, mas, na avaliação de jornalistas convidados para o evento, a proposta não ficou claraRafaela Felicciano/Metrópoles
3/7O deputado federal Izalci Lucas (PSDB) minimizou os embates que tem enfrentado em seu próprio partido para manter-se candidato ao Buriti e no comando regional da legenda. Também aproveitou o tempo para apresentar ideias nas áreas de economia e transporte. Assim como Rollemberg, falou mais sobre o que já fezRafaela Felicciano/Metrópoles
4/7Pré-candidata ao Palácio do Buriti pelo Pros, a ex-deputada distrital Eliana Pedrosa garantiu que, caso seja eleita, não permitirá às empresas pertencentes a sua família disputarem licitações com o poder público local. Eliana apresentou brevemente ideias sobre temas como educação e empregoRafaela Felicciano/Metrópoles
5/7O general Paulo Chagas (PRP) acusou os adversários de usarem o debate para “apresentarem suas necessidades e não com intuito de atender os anseios da sociedade”. Chagas mostrou que veio para defender mais rigidez na segurança pública e polemizou ao responder questão sobre políticas para a população negra e periférica do DF: disse que não haverá medidas específicas, pois “todos são iguais perante Deus”Rafaela Felicciano/Metrópoles
6/7Saúde pública foi o principal assunto abordado pelo pré-candidato ao Buriti pelo PR, Jofran Frejat. Mas nem mesmo quando enfrentou críticas a sua gestão como secretário de Saúde, nos governos Roriz e Arruda, o médico partiu para a briga. Estrategicamente, adotou um tom mais ameno, sem querer se indispor com os adversários. Preferiu que outros polemizem em vez deleRafaela Felicciano/Metrópoles
7/7Pré-candidata pelo PSol, a professora Fátima Sousa se concentrou em assuntos relacionados à saúde pública e criticou Jofran Frejat, o qual acusou de ter destruído o Saúde da Família quando era secretário de Saúde do DF: à época, ela trabalhava com o programa, no Ministério da Saúde. Disse também que, caso eleita, vai tirar o monopólio de empresários do sistema de transporte públicoFilipe Cardoso/Especial para o Metrópoles

 

Os pré-candidatos ao Palácio do Buriti do PRTB e do PDT, o advogado Guilherme Trotta e o ex-deputado distrital Peniel Pacheco, respectivamente, não compareceram. Os pedidos para serem incluídos no debate chegaram em tempo inexequível e eles serão contemplados em nova oportunidade.

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, Para analistas, debate do Metrópoles abriu corrida eleitoral e serviu de alerta a concorrentes: é preciso ter soluções aos problemas do DF,
Fonte: Metropoles
Author: Isadora Teixeira

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