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Irmão de servidora assassinada dá aulas para presos: Não vou desistir

Um dos cinco irmãos da servidora Maria Vanessa Veiga Esteves, 55 anos, morta com uma facada nas costas durante assalto na 408 Norte, trabalha dando aula aos detentos da Penitenciária Professor Ariosvaldo de Campos Pires, em Juiz de Fora (MG). Em entrevista ao Metrópoles, Nonato Esteves, 51, disse que foi uma “ironia do destino” a irmã partir de uma forma tão violenta por homens que ele tenta, diariamente, reinserir na sociedade.

“Dou aula para condenados por tráfico de drogas, roubo e crimes contra a mulher, por exemplo. As minhas salas de aula são oito celas do complexo. Tenho contato direto com os apenados. Conversamos, orientamos, damos conselhos. Quando minha irmã soube dessa minha função, ela disse que seria muito interessante e me pediu para continuar com o trabalho. Não vou desistir. Vou continuar por ela”, desabafou.

O homem também já atuou com menores infratores. Por infeliz coincidência, foi um adolescente de 15 anos que confessou aos investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) ter esfaqueado Maria Vanessa. O menor indicou ao delegado que não sentiu remorso pelo crime: “Estava a fim de matar alguém”.

A família soube do crime por meio das redes sociais, quando o pai do afilhado de Vanessa, também morador da 408 Norte, publicou um texto avisando sobre o latrocínio e pedindo o telefone de algum familiar. “Quando vi fiquei chocado. A família toda está assim até agora. Alguns dos nossos irmãos não conseguem nem mesmo comer”, desabafou Esteves.

De acordo com o Nonato, ele conversava com Maria Vanessa toda semana. “Não era apenas a minha irmã, era minha confidente”, ressaltou. O professor lembra que a servidora amava o trabalho e cogitava ficar definitivamente em Brasília.

“Ela adorava a vida que estava levando. Se sentia segura morado lá e fez grandes amigos. Só falava coisas boas da cidade”, completou Esteves. O professor deve vir ao Distrito Federal na próxima semana tratar das questões legais do contrato de aluguel da irmã, assim como vender os móveis, recuperar os documentos e objetos pessoais.

O crime
Maria Vanessa foi assassinada por volta das 23h dessa terça-feira (8/8), quando chegava em casa, na 408 Norte. Ela foi abordada por dois homens no estacionamento do bloco em que residia. Os bandidos pediram a bolsa dela. Mesmo não reagindo, a mulher foi atingida por golpes de faca e não resistiu.

1/19Alecsandro de Lima Dias, 26 anos, cumpria prisão domiciliar e tinha passagens por receptação e dois assaltosDaniel Ferreira/Metrópoles
2/19Maria Vanessa morava sozinha na 408 Norte: escolheu viver em Brasília por considerar a cidade tranquilaReprodução
3/19Além dos objetos da vítima, polícia recuperou armas usadas pelos criminosos e cartões de crédito roubadosDaniel Ferreira/Metrópoles
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4/19Segundo a polícia, Alecsandro e o rapaz de 15 anos costumavam roubar cartões de crédito, que foram recuperados por agentes da 2ª DPDaniel Ferreira/Metrópoles
5/19A dupla estava escondida em uma quitinete da 208 Norte. Roupas encontradas no local ajudaram a comprovar autoria do latrocínioDaniel Ferreira/Metrópoles
6/19Para o delegado Laércio Rosseto, crime está elucidado. Mas ainda falta saber qual foi a exata participação de servidor público, dono da quitinete onde suspeitos se esconderam Daniel Ferreira/Metrópoles
7/19Acusados portavam facas e estiletesDaniel Ferreira/Metrópoles
8/19Bolsa da vítima estava em um contêiner de lixo na 408 Norte. Ladrões tinham cartões roubados de outras vítimas, facas e estiletesIan Ferraz/Metrópoles
9/19Segundo policiais, Maria Vanessa entregou a bolsa, mas se recusou a passar a chave do carro aos bandidos. Por isso, teria sido esfaqueada
Daniel Ferreira/Metrópoles
10/19Maria Vanessa era de Minas Gerais e morava sozinhaReprodução/Facebook
11/19Maria Vanessa foi esfaqueada nas costas e não resistiuDivulgação/PCDF
12/19Crime ocorreu no estacionamento entre os blocos B e C da 408 NorteDivulgação/PCDF
13/19Uma faca, supostamente usada no crime, foi encontrada a 200 metros do corpoDivulgação/PCDF
14/19Na calçada da residencial, sangue de Maria Vanessa marca o local do crimeMirelle Pinheiro/Metrópoles
15/19Poça de sangue no local do crimeMirelle Pinheiro/Metrópoles
16/19Marcas de sangue em um dos carros que estavam no estacionamentoRafaela Felicciano/Metrópoles
17/19Sangue no estacionamento da 408 NorteMirelle Pinheiro/Metrópoles
18/19Imagens das câmeras foram recolhidas pela Polícia CivilRafaela Felicciano/Metrópoles
19/19Daniel Ferreira/Metrópoles

Vanessa tinha um contrato temporário e estava no MinC desde 2013, na Secretaria de Audiovisual. Segundo a coordenação de audiovisual, Vanessa soube na terça (8) que um trabalho seu tinha sido aprovado para apresentação em um simpósio em Portugal e estava superfeliz.

Fonte: Metropoles
Author: Mirelle Pinheiro

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