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Opinião: Mesmo chamado de “Dios”, Lugano é o mais humano dos ídolos

Diego Lugano disse adeus ao São Paulo após a última rodada do Brasileirão. Mesmo quase sem atuar em 2017, o uruguaio mostrou que ser um ídolo de verdade vai muito além daquilo que é jogado nas quatro linhas.

Muitos, sendo estes 100% torcedores de outros times, não entendem como Diego Lugano conseguiu se tornar um ídolo incondicional do torcedor do São Paulo. E de certa, eles têm a sua parcela de razão. Afinal, por que raios um zagueiro rústico, sem técnica, muitas vezes faltoso, que não sai da orelha do juiz, a ponto de ser expulso no banco de reservas, e que ficou mais de 10 anos longe do clube, pode ser tão idolatrado, inclusive com a ousadia herege de ser chamado de “Dios”? Quem já tem o seu mito, precisa de um Deus? Se querem um bom zagueiro para chamar de seu, que escolhessem o Oscar, por exemplo. Se a necessidade é ser zagueiro uruguaio, poderia ser Darío Pareyra. Isso sem contar jogadores de outras posições como Pedro Rocha, Careca, Muller, Raí, Palhinha, Zetti, Cafú, Serginho Chulapa ou Leônidas.

O fato é que, mesmo estando longe de ser o melhor zagueiro a já ter vestido a camisa do São Paulo, constatação feita algumas vezes inclusive pelo próprio jogador, Lugano conseguiu algo que vai além do que a técnica, que é ser o maior representante do torcedor dentro de campo.

O torcedor que não quer brincadeira dentro da área, jamais precisou gritar “joga sério” para Lugano. Aquele que dá a vida pelo clube, se enche de orgulho quando ouve o ex-capitão da celeste dizer que o São Paulo foi tudo na vida dele. O fanático, que veste o filho recém-nascido com o manto tricolor e não abandona a camisa do clube do coração nem mesmo na lua-de-mel, certamente ficou ao ver seu “Dios” exibir uma garrafa térmica do São Paulo durante uma Copa do Mundo, em meio a tantos materiais de patrocinadores oficiais, mesmo já estando longe do Morumbi há alguns anos.

Para aqueles que xingam o juiz antes mesmo do jogo começar, ver o inconformismo quase cômico do zagueiro a cada marcação contrariada, é como ter um porta-voz particular nas quatro linhas. Enfim, o torcedor que não dorme direito após uma derrota, que exige comprometimento e empatia pela sua dor, ver Lugano sair transtornado a cada derrota é ter a certeza de que há alguém lutando por ele todos os dias.

Lugano erra, mas, quem não erra? O paradoxo da admiração está justamente em, muitas vezes, nos encantamos com a imperfeição. Afinal, quem precisa ser perfeito, quando há a paixão envolvida? Ser falível, o aproxima ainda mais daqueles que estão ali, torcendo a cada lance. Lugano pode até ser “Dios” no apelido, mas, para o torcedor, é o mais humano dos ídolos.

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Fonte da Notícia
Author: Thiago Petrin

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