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Família da estudante executada em escola de Alexânia vive aterrorizada

Michael Melo/Metrópoles

Um mês após o assassinato de Raphaella Noviski, 16 anos, em Alexânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, familiares da jovem estão amedrontados. Eles temem retaliação por parte do suposto cúmplice da morte da adolescente, Davi José de Souza, 49, que está em liberdade enquanto aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.

Em 6 de novembro, Misael Pereira de Olair, 19, invadiu o Colégio Estadual 13 de Maio, onde Raphaella estudava, e matou a jovem com 11 tiros à queima-roupa. Segundo a denúncia, ele chegou ao local graças a uma carona de Davi, que o esperou e o ajudou a fugir de carro após o crime.

Davi teve a prisão preventiva revogada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), no último dia 30, e deixou a cadeia nessa terça-feira (5/12). Desde então, os parentes da vítima têm alterado a rotina e evitado sair às ruas de Alexânia.

“O portão fica fechado 24 horas. Minha filha mais velha [Isabella Noviski, irmã de Raphaella] não consegue dormir, sai de casa somente com meu irmão, de carro”, relata Rosângela Silva, mãe da adolescente assassinada. “Não conhecemos o Davi, nem sabemos do que ele é capaz”, acrescenta. Segundo a mulher, que vive em Vicente Pires, o homem mora próximo à casa dos familiares dela.

O medo causa tanta intranquilidade à família que Rosângela se esforça para os pais e a filha mais velha se mudarem da residência onde vivem. “Estou procurando casa perto dos meus irmãos, para comprar. Um deles é dono de salão e às vezes trabalha só por meio período, para cuidar dos meus pais e da minha filha”, conta.

1/5Davi é acusado de ter dado cobertura a Misael após a tragédiaMichael Melo/Metrópoles
2/5O rapaz, por sua vez, confessou o crime e disse que matou Raphaella por sentir “ódio” da jovemMichael Melo/Metrópoles
3/5A mãe da jovem, Rosângela Silva, teme pela segurança dos pais e da filha mais velhaMichael Melo/Metrópoles
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4/5A estudante foi morta no último 6 de novembro, dentro do colégio onde cursava o 9º ano do ensino fundamentalArquivo pessoal
5/5O crime chocou Alexânia, cidade no Entorno do DFMichael Melo/Metrópoles

Soltura
Para Davi obter liberdade, os advogados dele argumentaram que o cliente não ajudou na fuga e, na verdade, levou Misael ao encontro dos policiais à sua procura. Os criminalistas também apresentaram vídeo que mostraria o suposto cúmplice dirigindo em direção às forças de segurança, não para longe delas.

As evidências foram suficientes para o juiz substituto Leonardo Lopes dos Santos Bordini, de Alexânia. Em decisão do último dia 30, o magistrado afirmou que “novas provas foram anexadas aos autos pela defesa, corroborando a versão de que Davi não havia dado fuga a Misael, mas sim o conduzido ao encontro dos policiais militares que efetuaram a prisão”.

Denúncia
Apesar de se livrar da prisão preventiva, Davi foi denunciado, junto a Misael, pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). A Promotoria de Justiça imputa à dupla o crime de feminicídio, que prevê pena de 12 a 30 anos de reclusão. Eles irão a júri popular, mas as datas das audiências ainda estão indefinidas.

Denúncia do MPGO contra Misael Pereira e Davi José de Souza by Metropoles on Scribd

Ainda de acordo com a peça acusatória – a qual data de 23 de novembro –, Misael cometeu o crime por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e contra a mulher por “razões da condição do sexo feminino”. Ele está preso preventivamente.

Vendedores da arma
Responsáveis pela venda do revólver utilizado no crime por Misael, Wilkenedy Gomes dos Santos e José Alberto Moreira dos Santos, por ora, não foram denunciados por comércio ilegal de arma de fogo, crime pelo qual foram indiciados. Isso porque a promotoria não verificou conexão entre a prática e o homicídio. A dupla está livre.

“Ante o exposto, o Ministério Público requer a extração de cópia integral do presente inquérito policial e, após a autuação, o encaminhamento a esta Promotoria de Justiça para a adoção das providências pertinentes em relação às práticas delitivas supostamente praticadas por Wilkenedy Gomes dos Santos e José Alberto Moreira dos Santos”, escreve a promotoria.

Segundo as investigações, os dois são trabalhadores rurais. Wilkenedy teria ganhado o revólver de um primo e queria se livrar do objeto, então perguntou a José Alberto se ele conhecia algum interessado em comprar a arma. O homem, na ocasião, sabia da intenção de Misael em possuir um revólver.

Ainda segundo a investigação, o assassino confesso desembolsou R$ 2,3 mil pela arma: R$ 2 mil ficaram com Wilkenedy, enquanto José Alberto faturou R$ 300.

Tragédia
O crime chocou Alexânia, cidade com 26 mil habitantes, a 88km de Brasília. Raphaella Noviski foi assassinada com 11 tiros à queima-roupa, sete deles no rosto. Para cometer o homicídio, Misael pulou o muro da escola, invadiu a sala onde a jovem estudava e disparou contra ela. Sua entrada no local e o pânico dos estudantes foram registrados por câmeras de segurança.

Na sequência, Misael tentou fugir no carro conduzido por Davi José de Souza, que havia levado o rapaz até o colégio. Além do revólver calibre .32, o assassino confesso portava uma faca e uma máscara, utilizada por ele na hora do crime.

Em depoimento, o rapaz disse ter matado a estudante por sentir “ódio”, pois a jovem não correspondia às investidas dele. Davi, por sua vez, alega que não sabia da intenção do amigo.

Fonte: Metropoles
Author: Douglas Carvalho

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