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PMs são acusados de expulsar grupo que treinava com cães no Parque

Duas treinadoras de cães denunciam que policiais militares expulsaram, de um campo no Parque da Cidade, um grupo praticante de agility – esporte em que animal e dono devem completar um percurso com obstáculos. Sete policiais foram no local, no sábado (2/12), para retirar a equipe, alegando ter recebido relato de confusão, de acordo com Luíza Dias e Thaís Rodrigues, ambas de 30 anos.

Por volta das 19h, três policiais, dois armados com fuzis, teriam chegado no campo perto do Estacionamento 6, onde as oito pessoas estavam, e, de forma hostil, pediram para que elas se retirassem. Sem sucesso, foram embora. Alguns minutos depois, porém, outra viatura com quatro militares foi ao local – um deles com spray de pimenta na mão. Elas acusam que a intenção era liberar espaço para times amadores de futebol jogarem.

Desceu do carro primeiro o coronel sem identificação e dois policiais portando fuzis. Ele disse que veio mediar a situação, o conflito. Pensei que a gente iria conversar sobre horários, mas o coronel falou: ‘Não, vocês precisam sair agora, isso é um campo desportivo’”

Thaís Rodrigues, 30 anos, treinadora de cães

A intimidação teria começado no fim de semana anterior: a dupla narra que o treinamento foi iniciado por volta das 17h de 28 de novembro, um sábado, e, depois de alguns minutos, o grupo com 22 jogadores chegou. Amigavelmente, ambos dividiram o campo. A cordialidade, no entanto, não durou muito.

“Foi uma hora assim, e então chegou um cara e falou que a gente tinha que ir embora porque aquele era um lugar de futebol, não de cachorro. Depois, eles vieram bater-boca de novo. Alguns já foram pegando os obstáculos e jogando para fora do campo”, lembra Luíza. Ela conta que um dos homens afirmava a todo momento que “era PM”.

Uma das alunas, Carolina Ferrari, 32, ligou para a polícia pedindo ajuda para resolver a situação. “Um tempo depois passou uma viatura no estacionamento, mas a gente não sabia se era ronda ou se era realmente a que eles tinham enviado. Mas ela passou, olhou e foi embora”, relata. Seis mulheres e seis cachorros participavam do exercício naquele dia.

Indignadas com a situação, as treinadoras disseram que registraram o caso na corregedoria da Polícia Militar do DF (PMDF) na segunda-feira (4). Agora, as profissionais dizem ter receio de voltar ao mesmo local nos próximos fins de semana. “A polícia está agindo dessa maneira. Se a gente precisar de ajuda, vamos ligar para quem?”

O caso motivou um desabafo no Facebook.

 

O outro lado
Em nota, a PMDF informou que a viatura foi chamada por populares para resolver um conflito. A corporação justificou que a ação tinha como objetivo a mediação do caso. Sobre as armas e o spray de pimenta, a polícia diz que são equipamentos que todos os policiais militares usam.

A Administração do Plano Piloto não havia respondido aos questionamentos sobre o caso até a última atualização desta matéria.

O esporte
Luíza e Thaís são proprietárias da escola de adestramento e treinamento de cães Agility DF. Elas coordenam os exercícios em um campo próximo do Estacionamento 6 do Parque da Cidade quatro vezes por semana: às terças, quintas, sábados e domingos.

Thaís explica que o agility é um esporte de corrida para cães e donos com obstáculos. Em competições realizadas em nível regional, nacional ou internacional, o cachorro não sabe o percurso que irá fazer, e o condutor só descobre pouco antes de iniciá-lo. “Para além da competição, é um esporte que traz uma série benefícios. Acarreta qualidade de vida para o cachorro e para o dono, que gasta energia física e mental, além de promover socialização para todo mundo”, resume.

 

Fonte: Metropoles
Author: Isadora Teixeira

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