Com atestado, 15,1% dos professores do DF se afastaram do trabalho

Para cuidar da saúde, 15,1% dos docentes da rede pública de ensino do Distrito Federal se afastaram das escolas nos primeiros 11 meses de 2017. O percentual representa 4.294 dos 28.387 servidores da carreira de magistério, de acordo com a Secretaria de Educação.

Os motivos mais comuns expostos nos atestados são transtornos mentais e comportamentais, além de tendinite e artrite, conforme apontou relatório da Subsecretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (Subsaúde). O ranking com os números detalhados, porém, não foi enviado ao Metrópoles.

Uma professora, de 43 anos, com experiência de 20 anos em escolas do GDF, revela ter ficado 60 dias longe do serviço em 2017 por conta de nódulos nas cordas vocais. O incômodo na voz surgiu há uma década, mas o tratamento foi adiado para não deixar os alunos na mão, de acordo com ela.

Atualmente, a profissional está alocada em outra atividade, mas pode ser tirada de vez da sala de aula devido à gravidade do caso. Ela preferiu não se identificar.   

O professor deveria ter microfone. Temos 45 alunos frequentes em uma sala pequena e atualmente há muito desrespeito. Você precisa ter sempre um tom (de voz) acima. Os novatos deveriam ser obrigados a ir ao fonoaudiólogo para aprender a falar, a entonar a voz e a fazer exercícios vocais.

Docente, de 43 anos, atua há 20 na rede pública do DF

Para o educador Vinícius Silva, 36, falta um local para os profissionais desabafarem. “Em muitos momentos eu me vi sobrecarregado de compromissos e o meu corpo não aguentava aquela pressão do dia a dia da escola: diário, turma, prova. Há uma burocracia gigantesca que torna o trabalho enfadonho, pesado”, confessa.

Diretor do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Cleber Soares acredita que a necessidade de se ausentar por motivos de saúde está atrelada também à falta de uma política de prevenção ao adoecimento. “Há uma quantidade grande de problemas psiquiátricos, psicológicos, no aparelho locomotor e de voz. Na nossa avaliação, todos os casos poderiam ser evitados se houvesse essa preocupação”, sustenta.

Outro lado
Ao Metrópoles, a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Educação, Kelly Cristina, esclareceu que o percentual de docentes afastados é proporcional quando comparado ao total de servidores efetivos. “Nós temos diminuído consideravelmente o número de atestados, apesar de esse ser o padrão nacional. A média entre 10% e 15% é uma faixa comum de afastamento para cuidar da saúde”, garante.

Desde 2015, uma diretoria específica cuida do “bem-estar e da qualidade de vida no ambiente de trabalho” dos profissionais, de acordo com a subsecretária. “Nós começamos a trabalhar por meio de palestras orientadoras do uso correto da voz, alimentação e postura corretas, além de campanha de valorização e reconhecimento”, lista.

Segundo Kelly Cristina, recentemente a Pasta lançou o Projeto Servir, piloto em Ceilândia, com previsão de expansão para as demais regionais em 2018. “São oficinas de esporte e arte voltadas para os servidores da Secretaria de Educação. Essas ações e um novo olhar na gestão visam a diminuição dos índices apresentados”, declara.

Em declínio
A quantidade de profissionais da educação que apresentam atestados tem caído. De janeiro a novembro de 2015, 24,8% dos docentes registraram o documento. No mesmo período de 2016, 19,6% deixaram o trabalho de forma provisória. Nesse intervalo, no entanto, o número de professores na rede pública do DF também teve queda: em 2015, eram 30.249 e, no ano seguinte, a quantidade despencou para 29.449. Hoje, são 28.387 educadores. Em três anos, portanto, a redução foi de 6%.

O contingente menor, por outro lado, precisa atender ainda mais unidades de ensino. Em 2015, a Secretaria de Educação administrava 651 locais (de creches a escolas de ensino médio), número que subiu para 662 e 673, em 2016 e 2017, respectivamente. As escolas públicas do DF atendem 442.709 alunos regularmente matriculados.

A subsecretária explica que mais servidores deixaram o quadro porque houve um grande número de aposentadorias em 2017. “Mas a gente vem recompondo aos poucos. Nomeamos neste ano em torno de 60 efetivos do concurso de 2013. Há uma grande expectativa para 2018”, pondera Kelly Cristina.

Fontes: Metropóles / Agencia Brasília
Author: Isadora Teixeira

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