Novacap diz que não há risco de desabamento e Rodoviária é liberada

Após o GDF descartar risco de desabamento em área interditada na Rodoviária do Plano Piloto, o trecho da Plataforma B foi liberado por volta das 18h desta quinta-feira (11/10). Parte do terminal havia sido fechado para o trânsito de pedestres na tarde de quarta (10), depois de cabos de sustentação serem arrebentados.

Engenheiros, técnicos da Defesa Civil e integrantes do Corpo de Bombeiros fizeram vistoria na estrutura danificada para avaliar os danos causados após o rompimento de 10 dos 60 cabos de sustentação do terminal. O problema ocorreu na tarde de quarta (10), durante a instalação de um equipamento pela empresa de telefonia Vivo no local.

De acordo com o diretor-presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Júlio Menegotto, foi constatado que não há riscos. “Os danos estão dentro da margem de segurança, por isso decidimos liberar parte da área interditada”, explicou. No entanto, parte do estacionamento lateral superior do terminal continuará fechado e os ônibus do BRT só poderão circular pela parte inferior da plataforma.

O Governo do Distrito Federal (GDF) informou que notificou a operadora Vivo e que a empresa de telefonia têm sete dias para apresentar projeto para a recuperação da estrutura danificada. Cerca de 700 mil pessoas passam diariamente pela Rodoviária.

Processo
Por meio de nota, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) informou ter determinado à Procuradoria-Geral do DF que ingressasse com ação contra a Vivo. “Sem avisar e sem pedir autorização para qualquer órgão público, [a empresa] destruiu cabos de sustentação, provocando transtornos para a população”, argumentou.

De acordo com o chefe do Executivo local, será cobrada da empresa “a devida indenização pelos danos materiais causados ao patrimônio público do DF, bem como dano moral coletivo em razão da exposição ao risco das pessoas que transitam no local, causando incômodos e apreensão”.

Transtornos
Em razão do bloqueio, quatro linhas foram afetadas nesta quinta (11): duas com destino a Planaltina e duas do BRT, que liga o Plano Piloto a Santa Maria e ao Gama. A mudança obrigou o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) a remanejar os passageiros para outros pontos de embarque. A alteração gerou confusão e muita reclamação dos usuários.

Os itinerários 0.620 e 620.1, que ligam Planaltina a Brasília, tiveram local de embarque mudado para o lado da plataforma superior, próximo ao Teatro Nacional; e as linhas 22.02 e 23.02, do BRT, com sentido ao Gama e a Santa Maria foram alteradas para o Eixinho W, entre o Conjunto Nacional e o Conic.

A usuária do transporte público Joelma Azevedo foi chamada com urgência para ir até o hospital onde trabalha e foi surpreendida pela interdição. “Eu desci do metrô e tive que dar uma volta na Rodoviária toda porque não sabia como chegar aqui”, disse.

Funcionária de uma cabine de fotografia, Verônica Carvalho contou que está trabalhando com medo. Além disso, passou a maior parte da manhã ajudando pessoas. “Hoje não estou fazendo nada, só dando informação. Atrapalha muito”, relatou. O auxiliar administrativo José Severo Gomes, 32 anos, também ficou perdido. Para ele, o DFTrans deveria ter colocado pessoas em diversos pontos do terminal para orientar os passageiros.

O trecho interditado fica a poucos metros de uma área isolada por tapumes, onde operários trabalham na revitalização do espaço. As obras de restauração da Rodoviária começaram em 2014. O setor bloqueado fica próximo à escada rolante e ao ponto de embarque e desembarque do BRT.

Veja imagens da área interditada na Rodoviária do Plano Piloto:

Novacap diz que não há risco de desabamento e Rodoviária é liberada

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Servidores da Defesa Civil e da Novacap avaliam a estrutura do terminal Igo Estrela/Metrópoles

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Por causa da interdição, quatro linhas foram afetadas e os passageiros tiveram de embarcar em outro ponto do terminal Igo Estrela/Metrópoles

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A Defesa Civil está na Rodoviária para analisar os riscos de desabamento de parte da estrutura Igo Estrela/Metrópoles

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O fluxo de pessoas está restrito à área delimitada pela Polícia Militar Igo Estrela/Metrópoles

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Viaturas na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto Igo Estrela/Metrópoles

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A Polícia Militar interditou parte da área Igo Estrela/Metrópoles

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Cones colocados pela PM Igo Estrela/Metrópoles

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Operários trabalham na Rodoviária do Plano Igo Estrela/Metrópoles

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As intervenções devem congestionar o terminal no horário da volta dos brasilienses para casa Igo Estrela/Metrópoles

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Culpa
O diretor-presidente da Novacap, Júlio Menegotto, culpou a Vivo pelos transtornos e ressaltou que a empresa executava os trabalhos sem qualquer autorização. “Como trabalhamos com risco zero, optamos por interditar e calcular se haverá necessidade de fazer escoramento. A Vivo fazia esse serviço sem comunicar ninguém e terá de arcar com os prejuízos”, destacou.

Em nota, a Vivo confirmou que executava um trabalho na plataforma, “quando houve uma intercorrência durante a atividade”. “A Vivo esclarece que já está em contato com os órgãos competentes para fornecer todas as informações necessárias e tomar as medidas cabíveis”, diz o texto.

Veja os vídeos:

Vivo

Problemas antigos
Desde sua inauguração, há quase 58 anos, a Rodoviária do Plano Piloto é uma ferida aberta no centro da capital do Brasil. Localizado a 2,8km do Palácio do Buriti, sede do Executivo local, o principal terminal de ônibus do Distrito Federal tem problemas crônicos e oferece risco iminente a quem passa por ali: um segundo de descuido pode ocasionar graves acidentes em buracos no piso e com a fiação elétrica exposta. O ponto de cruzamento dos eixos Rodoviário e Monumental da cidade é um canteiro de obras que parece inacabável.

As reformas aparentam ser infindáveis. A licitação ocorreu no último ano da gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e previu investimentos da ordem de R$ 36,5 milhões. Segundo a Novacap, a reforma deve terminar em junho de 2019 e prevê a correção dos problemas no piso, teto e instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias. A obra também tem, de acordo com a companhia, objetivo de aprimorar a sinalização de acessibilidade, recuperar calçadas e realizar drenagem interna de águas pluviais.

Fonte: Metropoles
Author: Gabriella Furquim

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