Terminal da Ceilândia abandonado vira ponto de drogas

Pedro Marra
Especial para o Jornal de Brasília

A desativação do terminal de ônibus do “P” Norte tem causado transtorno para moradores e comerciantes da região. Cacos de vidro pelo chão esburacado, sapatos e roupas sujas, mau odor de pontos de droga e fiação solta são parte do problema que a Administração Regional de Ceilândia, responsável pelo antigo local de transporte, terá de cuidar.

O espaço deixou de funcionar em 3 de fevereiro, e desde então se deteriora cada vez mais. Até o fim do mês deve ser demolido e limpo, mas não há um projeto específico para o futuro.

Por meio de nota, o Transporte Urbano (DFTrans) explicou que “a interrupção das operações aconteceu porque o local estava em condições inadequadas de uso e já estava programada a desativação em função da inauguração do terminal da QNR e da reforma do terminal do Setor O.”

Assim, duas linhas foram remanejadas para o terminal do Setor O, e nove para o da QNR. “O SLU tem realizado a limpeza frequente próximo ao local, tais como no estacionamento e na praça da Bíblia. O entulho próximo a área será retirado ainda esta semana”, informa a Administração de Ceilândia. O órgão alega que não há prejuízo aos usuários, mas a realidade é diferente.

Breno Esaki

Prejudicados

Moradora do P Norte Bruna Almeida, 19 anos, pegava ônibus no terminal. Agora aguarda na parada da praça. “Os ônibus estão demorando cerca de 40 minutos. Quando eu passava perto, podia utilizar o banheiro e beber água. Agora, vejo usuários de droga e traficantes com frequência”, denuncia.

Quando o terminal funcionava, o estudante da UnB de Ceilândia, João Victor de Souza, 18 anos, já sabia o horário que pegaria a condução. “O ritmo da circulação mudou. Agora, demoro até uma hora para pegar meu ônibus para a UnB. Ficou perigoso. Não tem tido ronda aqui”, relata.

A mãe do estudante, Maria da Conceição, 56 anos, reclama. “De vez em quando, eu o espero na esquina”.
O comércio em frente também tem enfrentado dificuldades diante do abandono. Ronaldo Retz, 50 anos, é dono de um lava a jato em frente. Com a situação atual, ele perdeu metade dos clientes.

“Se continuar assim por muito tempo, provavelmente a gente vai ter de fechar também, igual a outros dois comerciantes. A gente fazia cerca de 15 lavagens por dia. Agora, apenas 7. Para recuperar o lucro, tenho de fazer promoções para motoristas de aplicativos de transporte”, explica.

“A clientela fiel é o que tem salvado a minha pele”, esclarece a dona de ateliê Eva Dantas, 56 anos. Ao fim do mês, ela lucrava mais de R$ 3 mil antes da desativação. Agora, pouco mais da metade. “E ainda tenho de pagar conta de água, luz e aluguel. Era muito bom ter o terminal aqui na frente porque os cobradores e motoristas pediam para eu costurar o uniforme”, complementa.

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Fonte: odemocrata / jornaldebrasilia / aquiaguasclaras
Author: Eric Zambon

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