Turista é assaltada em frente a shopping do DF e alega omissão de porteiro

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A professora universitária Ana Galluf, 56 anos, mora no Rio de Janeiro, mas desembarcou em Brasília para um trabalho. No último sábado (6), estava a caminho de um salão quando foi abordada por uma dupla de homens, que acredita ser menores de idade, e teve todo seus pertences roubados. O caso ocorreu por volta das 19h, em frente à Entrada B do Centro Empresarial Liberty Mall – localizado no início da Asa Norte.

Durante o assalto, ela gritou e tentou recuperar a bolsa, mas sem sucesso. Sua indignação, porém, é com um porteiro do shopping, que ela alega ter visto o crime, mas não a ajudou. Por outro lado, administração do condomínio diz ser refém dos crimes e que a segurança é de responsabilidade da Polícia Militar.

“Quando estava chegando vieram dois pivetes, que dava para ver que estavam drogados. Pensei em correr, mas não sabia se estavam com alguma arma ou faca”, lembra Ana Galluf.

Assim que chegaram, os dois anunciaram o assalto. Pediram a bolsa, mas a professora resistiu. “Comecei a berrar e brigar pela minha bolsa. Vi pessoas da janela do prédio gritando para me soltarem. O que me chocou foi que em nenhum momento o porteiro do prédio tentou me ajudar. Olhava para ele e ele não fez nenhuma menção de ir me ajudar”, lembra.

Dedo quebrado

Na tentativa de ficar com sua bolsa e brigando com os dois criminosos, a carioca quebrou um dedo da mão. “Na adrenalina, não senti dor nenhuma. Só no domingo que senti e fui ao médico”, afirma. Ana precisou passar por uma cirurgia na terça-feira (9). No procedimento, o médico colocou um pino interno e dois externos para a recuperação do dedo.

Além do assalto, a situação fica ainda mais complicada porque, conforme a professora, ela tem recebido mensagens para tentar desbloquear o celular roubado.

“Levaram meu iPhone e peguei um outro telefone emprestado. Não sei como, mas localizaram meu novo número e estão me mandando mensagem, para dizer que o telefone está numa assistência e que preciso desbloqueá-lo. Devem ter vendido para uma pessoa que entende”, alega.

Por isso, Ana diz que fará um segundo boletim de ocorrência para que a polícia investigue asituação.


Falta de solidariedade

Apesar do susto e dos bens que perdeu, a professora carioca diz que a principal indignação foi a falta de empatia do porteiro do Liberty Mall. “Quando voltei em direção à entrada do prédio, ele me viu chorando. Perguntei se ele tinha visto o assalto, respondeu que não”, relembra Ana Galluf. “O que mais me chocou foi quando sentei na mureta de flores que tem lá. Eu chorava, chorava… Chorava como nunca chorei na vida. Não lembrava número de ninguém para ligar”, completa.

A crítica, segundo ela, não é uma forma de retaliação. “Não quero que ele seja prejudicado, não sei a história do porteiro, mas acredito que o shopping teria que ter mais segurança. Se ele tivesse dado um berro, gritado que iria chamar a polícia, pelo menos, os garotos poderiam ter fugido. É falta de solidariedade”, argumenta.

Professora lamenta o assalto, mas diz que sua indignação foi a falta de ajuda. Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília

Responsabilidade pública 

Maurício Pereira, administrador do Centro Empresarial, lamentou a situação e disse ser tão “refém” quanto Ana. “Temos muitos problemas em volta do prédio, roubos de carros, de celular. Mas é área pública. O porteiro não poderia reagir, porque poderia  se comprometer. Não sabemos se estão armados ou não”, argumenta.

“É questão de segurança pública. Quem teria que cuidar é a Polícia Militar, mas não temos esse apoio”, acrescenta. O administrador não estava sabendo do caso, mas alegou que iria verificar o que houve.

Já a assessoria do shopping Liberty Mall, mesmo não tendo responsabilidade sobre o condomínio empresarial, afirmou que a equipe de segurança prestou socorro à vítima e a orientou em registrar um boletim de ocorrência. “A equipe de segurança do shopping atua nas áreas internas do mall. A segurança do estacionamento externo, uma área pública, é feita pela Polícia Militar”, esclareceu, em nota.

O que diz a PM

Por outro lado, a Polícia Militar disse que qualquer pessoa tem o direito de prender em flagrante qualquer criminoso que esteja em situação de “flagrante delito”. A corporação alegou ainda que em casos de pessoas em situação de rua, somente a PM que pode retirá-los em caso de crime.

No que se refere aos usuários de droga, esse crime não é apenas uma questão policial, mas necessita, ainda mais, de ações na área de saúde, social e de políticas públicas. Quando o usuário é preso/apreendido, ele é encaminhado à DP na qual assina um termo de compromisso, sendo liberado logo em seguida. Diante disso, por não haver uma ‘punição’, o usuário não se sente intimidado e volta a reincidir no mesmo delito”, alertou, em nota.

Por fim, a corporação afirmou que a Liberty Mall, assim como toda a Asa Norte, recebe o policiamento, mas “ não é possível manter uma viatura em todos os lugares de forma simultânea, por isso criminosos aproveitam-se de oportunidades para agir”.

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Fonte: jornaldebrasilia / aquiaguasclaras / odemocrata / noticiasdebrasilia / capitaldoentorno
Author: Raphaella Sconetto

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