Menino veste azul e menina veste rosa? Na história, nem sempre foi assim

O ano de 2019 já começou com uma polêmica que explodiu as redes sociais. A nova ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos – ministério criado pelo novo presidente da República, Jair Messias Bolsonaro – gritou junto aos seus aliados que “é uma nova era no Brasil, meninos vestem azul e meninas vestem rosa”.

Não é a primeira vez que a advogada e pastora evangélica Damares Regina Alves causa polêmica. Ela já fez criticas ao Sisu, colocou a religião a frente do estado laico, e afirmou ser “uma ministra terrivelmente cristã”. Além disso, ela já afirmou mais de uma vez que pretende combater o debate sobre a ideologia de gênero.

Diante tantas falas polêmicas, grande parte da população reage com indignação. Neste momento, existe uma pergunta que precisa ser respondida: realmente meninos precisam usar azul e meninas usar rosa? A resposta é clara: não! Todos podem usar a cor que quiser e, principalmente, ser o que quiser. Quer entender um pouco mais sobre isso? Então vem comigo!

Realmente menino veste azul e menina veste azul?

Antes de começarmos essa viagem, preciso que você entenda uma coisa: se você é uma das pessoas que acredita que “menino veste azul e menina veste rosa”, é por que inúmeras circunstâncias te levaram a isso, inclusive a construção social que chamamos de ideologia de gênero.

Mas garanto que ao olhar para trás, na história, e encarar as circunstâncias a partir de novos pontos de vista, conseguirá entender o outro ponto. Então venha sem preconceito e disposto a se questionar. Vamos lá?

Jo Paoletti é professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America (“Rosa e Azul: Distinguindo Meninos de Meninas nos Estados Unidos” em tradução livre).

Ela foi um dos estudiosos que percebeu que nem sempre, o rosa foi destinado as meninas e o azul aos meninos. Inclusive, essa distinção de cores é bem recente.

“A ideia de que há algo natural e permanente sobre o uso de rosa para as meninas e azul para garotos é historicamente errada. Assim, também é errada a ideia de que se você não tratar as crianças segundo um estereótipo de gênero elas vão crescer confusas, serão pervertidas, vão se tornar homossexuais, transgênero.

Não há nenhuma evidência disso. Não é dos estereótipos de gênero que nasce a identidade homossexual ou trans”, disse a pesquisadora em uma entrevista para a BBC.

Meninos e meninas vestiam branco

Para você ter ideia o quanto essas divisões de cores são recentes, elas remontam pouco menos de 100 anos. Ainda no inicio do século 20, as crianças usavam branco. Em primeiro lugar por que a cor era mais fácil de ser limpa e fervida sem desbotar. Além disso, tintura naquela época era muito cara.

Em segundo, por que branco passava a ideia de pureza. Quando as cores foram introduzidos nas roupas infantis, elas não acompanhavam o sexo, e sim o tipo físico ou região da criança. Por exemplo, crianças com olhos azuis combinavam com a cor azul e crianças com cor castanho combinavam com rosa.

Quando meninos foram associados ao azul e meninas ao rosa?

Essa forma de associação que conhecemos hoje – meninos de azul e meninas de rosa – começou no final da Segunda Guerra Mundial, como uma grande estratégia de marketing. As grandes confecções começaram a produzir roupas com cores diferentes para cada sexo, com o intuito de alavancar as vendas. Ou seja, tudo começou como uma estratégia de vendas.

Aos poucos, essa ideia foi ficando forte. Ela só explodiu de verdade nos anos 80, quando os exames pré-natal permitiam ver o sexo da criança.

Com isso, os país começaram a decorar o quarto das crianças com antecedência, a partir das cores pré-estabelecidas do mercado. Foi nesse período que as lojas de departamento norte americanas definiram de vez o rosa para meninas e o azul para meninos.

Cor não defini sexo

A autora do livro A Psicologia das Cores, Eva Heller, já deixou bem claro em seu livro que as cores não estão associadas ao sexo da criança, muito menos a sua personalidade – que no fundo é o que importa.

Ela explique que não existe nenhum tipo de indicio que ligue razões genéticas, biológicas ou ancestrais com a distinção de cores para gênero. No fim das contas, essa associação não passa de um fruto da construção social, e só. Não se preocupem, qualquer criança pode usar qualquer cor, basta que isso a faça feliz.

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Fonte: BBC e Marie Claire

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Author: Toni Nascimento

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